Turismo Cultural: Emprego e Renda X Identidade Cultural

3/12/2004 - Leila Cristina Oliveira


OBS: A Festa da Padroeira N.S. da Guia atrai todos os anos, no mês de agosto, para a cidade de Acai, um grande número de visitantes entre estudiosos e turistas de diversas partes do mundo. Número que, em muito, ultrapassa a capacidade receptiva do município e que ao mesmo tempo gera a possibilidade de rendimentos para a população local.




A Festa da Padroeira N.S. da Guia atrai todos os anos, no mês de agosto, para a cidade de Acari, um grande número de visitantes entre estudiosos e turistas de diversas partes do mundo. Número que, em muito, ultrapassa a capacidade receptiva do município e que ao mesmo tempo gera a possibilidade de rendimentos para a população local.

O turismo representa uma alternativa de alavancar a economia do município de Acari– Região Econômica do Seridó do Rio Grande do Norte . O avanço da degradação do patrimônio cultural e da economia contrapõe à riqueza do conjunto de bens culturais e naturais os quais são inadequadamente explorados.

Mesmo que a exploração do turismo no local ainda não seja ordenada, é intensa. Sinais de perda da identidade cultural, tais como: o excesso de vendedores informais de souvenires pelas ruas da cidade, o aumento do numero de visitantes e a alta concentração de pessoas querendo fotografar e filmar as procissões são notados em algumas manifestações, devido a sazonalidade dos eventos e à falta de políticas de planejamento turístico e de preservação cultural.

A geração de emprego e renda é destacada devido ao potencial turístico da região e ao forte apelo cultural que impulsiona anualmente a demanda turística local. Contudo, a geração destes empregos diretos e indiretos, gerados em sua maioria durante períodos de fluxo turístico sazonais, podem apresentar uma descaracterização dos bens culturais, para que estes possam ser vendidos aos turistas.

         Surge então o confronto entre as necessidades da geração de empregos e renda para a região e da preservação da identidade cultural da comunidade. Percebe-se que um prospera em detrimento do outro. Com o avanço da atividade turística no país, ocorre o aumento da demanda local e conseqüentemente dos negócios ligados ao turismo, possibilitando melhores níveis de emprego e renda e estimulando a organização do capital social. Por outro lado, o evento cultural transforma-se em produto turístico gerando uma considerável perda da sua identidade cultural.

Centro Turistico da Arari e Gargalheiras

Ecoturismo em Unidades de Conservação


O Ecoturismo pode ser uma solução de desenvolvimento sustentável para as Unidades de Conservação ao relacionar benefícios diretos com conservação.



As modificações intensas e as destruições impostas ao meio ambiente nos últimos tempos têm levado muitos países a estabelecer em seus territórios áreas chamadas Unidades de Conservação (UC), buscando minimizar a perda de biodiversidade que vem ocorrendo com a degradação ambiental.  Em algumas UC no Brasil, o ecoturismo está se tornando uma alternativa de gestão. O impacto do Ecoturismo é bem conhecido. Os custos potenciais são a degradação do meio ambiente, as injustiças e instabilidades econômicas, as mudanças socioculturais negativas. Os benefícios potenciais são a geração de receita para as áreas protegidas, a criação de emprego para as pessoas que vivem próximas a essas áreas e a promoção da educação ambiental e de conscientização sobre conservação (WEARING; NEIL, 2001). Porém, se implantado de forma correta seguindo seus princípios e diretrizes, o ecoturismo praticamente só traz benefícios. As UC foram concebidas por constituírem em suas áreas elementos vitais para proteção, como biodiversidade, localização remota e ecossistemas intocados. Todavia, essas áreas demandam uma infra-estrutura adequada, o que já é um entrave a ser combatido pelos administradores que não detém recursos (LINDBERG; HAWKINS, 2001; WEARING; NEIL, 2001). As UC tiveram nos Parques Nacionais os primeiro exemplos de proteção da biodiversidade, embora em seu conceito original permeavam objetivos de recreação ao invés de conservação. No entanto houve uma orientação relevante nas atividades desenvolvidas nestes, no sentido de contemplar também a preservação (WEARING; NEIL, 2001).  O Ecoturismo pode ser uma solução de desenvolvimento sustentável para as UC ao relacionar benefícios diretos com conservação.

O Ecoturismo como estratégia de desenvolvimento sustentável está se transformando cada vez mais em parte de uma filosofia política para administradores de áreas de proteção e institutos de conservação, por ser meio capaz de proporcionar resultados práticos no esforço de fornecer uma base de proteção contínua para essas áreas (WEARING; NEIL, 2001, p.68).Como resultados que o Ecoturismo pode gerar ao ser realizado em UC:▪         É uma fonte de recursos para proteção e manutenção das áreas;▪         Alternativa de desenvolvimento econômico;▪         Difusão da questão ambiental e do ideal de preservação;▪         Promove a concepção ética de conservação por instituição privada;▪         Geração de emprego na área e entorno.O Ecoturismo está sendo cada vez mais usado na Gestão de áreas protegidas pois é uma alternativa economicamente viável e conscientiza as pessoas envolvidas. Entretanto, o turismo em áreas naturais protegidas é, ainda hoje, um tema cheio de controvérsias, pois não é matéria fácil conciliar a proteção das áreas com o desejo dos governos em obter divisas; a ânsia dos empreendedores em participar da atividade e a demanda crescente por atividades de recreação intensiva (KINKER, 2002). Simonian considera, em relação ao turismo como solução para o desenvolvimento em UC:crítica essa tendência, principalmente porque os impactos ambientais e sociais são muitos (...). De fato, com raras exceções, a destruição de recursos preciosos do ponto de vista natural, histórico e mítico-religioso, e o pouco que reverte para os indígenas e demais populações são algumas das questões a considerar (SIMONIAM, 2000, p.34).O turismo mal planejado pode de fato não ser justo e trazer impactos principalmente em se tratando de áreas protegidas. Por outro lado, o Ecoturismo se diferencia do turismo convencional por ser responsável e ecologicamente correto, ou seja, sustentável.O Ecoturismo é um segmento diferenciado da ‘indústria do turismo’, porque implica necessariamente planejamento que leva a sustentabilidade do ambiente natural e cultural, e que deve também conduzir ao desenvolvimento regional sustentável, a um maior conhecimento do mundo natural e cultural visitado e a uma maior conscientização do turista no que se refere a comportamentos” (CEBALLOS-LASCURÁIN apud KINKER, 2002).No tocante a preocupação com o Ecoturismo em trilhar, futuramente, caminhos para o turismo de massa, há de se observar que o ecoturista busca vivenciar novas experiências em áreas naturais que estejam bem resguardadas, o que converge aos interesses conservacionistas. Nesse sentido, cabe aos administradores de UC implementar um planejamento que flua de maneira eficaz, tendo suporte para os possíveis efeitos negativos da atividade ecoturística. Isto se torna viável se a administração ponderar a relação custo versus benefício e outras questões como a capacidade de carga, por exemplo (WEARING; NEIL, 2001):O Ecoturismo procura se capitalizar no crescimento do turismo em áreas de proteção famosas por sua notável beleza e extraordinário interesse ecológico, e retornar os benefícios para a comunidade receptora. O Ecoturismo orienta-se pela idéia dos quais depende subsistirem e prosperarem (ibid, p.76). É fundamental a participação da comunidade local no desenvolvimento do turismo em UC, até como uma compensação para as restrições sofridas pela proximidade com a Unidade de Conservação. Apesar disto, o turismo deve ser visto apenas como uma das ferramentas para o desenvolvimento regional, e os seus benefícios potenciais não devem ser superestimados. Depoimentos de profissionais indicam que a expectativa gerada na comunidade econômica é muitas vezes maior do que pode ser realmente alcançado nos limites da sustentabilidade (KINKER, 2002, p.72).

Uma administração de UC sensata que contemple o Ecoturismo como ferramenta primordial para sua manutenção, terá êxito, uma vez que a demanda é constituída por indivíduos que se preocupam com a conservação da biodiversidade e a valorização das culturas locais.

RPPN SERNATIVO - Acari, RN

Turismo Rural na cidade de Acari: é possível!

Com tantos benefícios advindos desse setor, torna-se difícil encontrar uma explicação para o deficitário Turismo da cidade. O que falta, afinal, para que Acari possa destacar-se no Turismo Rural?


Sabemos que o Turismo Rural é uma oferta de atividades recreativas, alojamentos e serviços, que tem como base o meio rural dirigido especialmente aos habitantes das grandes cidades que buscam acolhimento, lazer, descanso e férias em contato com a natureza e a população local, mantendo atividades agropecuárias tradicionais. É portanto, segundo a Embratur, uma atividade multidisciplinar que se realiza no meio ambiente, fora de áreas intensamente urbanizadas.

Vemos que no Brasil o Turismo Rural vem se desenvolvendo gradativamente. Estados como Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Goiás, implantam empreendimentos que exploram suas propriedades rurais através de seus recursos naturais, históricos, econômicos e sócio-culturais, conseguindo, dessa forma ascensão através do desenvolvimento dos seus municípios.

Essas iniciativas beneficiam as localidades por meio da interiorização do turismo com a conseqüente valorização do patrimônio e o aumento da renda per capta dos habitantes com o incremento nos setores da indústria, do comércio, do setor rural e maior demanda de mão-de-obra para os serviços turísticos.O apoio ao turismo trás ainda significativa valorização dos produtos locais, geração de empregos, maior arrecadação de impostos e taxas e melhoria em todos os serviços públicos, além do intercâmbio cultural e a diminuição do êxodo rural. No entanto, para que isso seja possível, é imprescindível a preservação dos recursos naturais.

É fácil observar que Acari possui um enorme potencial turístico, com inúmeras matas, cachoeiras e nascentes límpidas, potencial esse que não está sendo aproveitado corretamente  para o  incentivo ao Turismo.

Com tantos benefícios advindos desse setor, torna-se difícil encontrar uma explicação para o deficitário Turismo da cidade. O que falta, afinal, para que Acari possa destacar-se no Turismo Rural?

Cidades como Brotas e Barra Bonita hoje sobrevivem do Turismo e tiveram sua economia, cultura política e social modificadas e desenvolvidas. Lembramos ainda que são localidades que possuem habitantes semelhantes aos de Acari, e seus atrativos turísticos não são superiores aos nossos.

Acari possui monumentos que retratam sua história e enriquecem a cultura e o patrimônio local. São poucas as cidades que têm um passado tão nobre e um presente tão rico. Então porque não arriscar em harmonizar as atividades turísticas com a conservação dos bens históricos para conquistar e atrair muito mais  turistas para a nossa região?

Há proprietários rurais que já buscam esse desenvolvimento turístico com uma maior interação entre profissionais da área e estudantes, porém, é necessário que haja maior participação de toda a população do município no sentido de envolver as autoridades constituídas num projeto que nos leve finalmente ao título de “Estância Turística”.

Um planejamento bem elaborado que reduza os efeitos negativos e integre equipamentos turísticos, paisagens e comunidade local com a capacitação dos habitantes para o turismo receptivo sob a orientação de profissionais da área, facilitariam nesse processo, contribuindo para uma maior divulgação do município.

Nossa cidade tem potencial turístico e muita capacidade para desenvolvê-lo, contudo, seja  conhecida, admirada e procurada pelos adeptos do Turismo Rural  basta apenas querermos.